O descaso com a saúde

Artigos4 de outubro de 2017
O descaso com a saúde

O Brasil gasta pouco e mal com a saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou dados que revelam que em 2014 foram gastos apenas 6,8% do orçamento público com saúde. Para efeito do cálculo levou-se em conta  a soma de todas as despesas da União, estados e municípios. Foi o pior desempenho desde 2010. Levando em conta os dados de 2010 a 2014, constatou-se uma defasagem de 32%.

O Brasil ocupa hoje terceiro pior lugar quando comparado com os 35 países do continente americano. Fica a frente apenas do Haiti e da Venezuela. É lamentável que o país considerado um dos mais ricos do mundo, gaste tão pouco com saúde do seu povo. Estamos muito abaixo da média mundial que é de 11,7%, incluindo a África e a América Central. 

Países como Inglaterra, Canadá, Espanha, França e Austrália que possuem sistema de saúde universal, gastam valores percentuais bem mais altos que nós. Alguns chegam próximo de 20% dos seus orçamentos.

Estes dados justificam o caos da saúde, incluindo a desassistência dos hospitais públicos. A falta de leitos com o amontoamento dos pacientes deitados em maca pelo chão, formando verdadeiros piscinões, como o caso do Hospital Geral de Fortaleza. A falta de medicamentos, pacientes em filas intermináveis aguardando tratamento, médicos e outros profissionais mal remunerados, vínculo de trabalho precário e trabalhando sem as mínimas condições, em muitos casos ameaçados de morte pelos pacientes e/ou acompanhantes.

Vivemos um momento de profunda crise política. Se não bastasse, os nossos deputados federais chegam ao cúmulo de propor o aumento de 3,6 bilhões de reais, além do gasto atual para financiamento das campanhas eleitorais. O Presidente da República anuncia a venda de empresas lucrativas, chegando ao cúmulo de anunciar a venda Casa da Moeda. Todo este esforço está sendo feito para cobrir parte do rombo dos gastos do governo, enquanto assistimos a tudo isto calado. Onde estão as panelas com as luzes piscando das janelas do apartamentos?

Fonte: Revista da Santa Casa, escrito pelo Conselheiro Fiscal da FENAM, Dr. José Tarcísio da Fonseca.

Related Posts

0 0 votes
Article Rating
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Notícias Recentes

Dificuldades no acordo coletivo da EBSERH
Fenam cobra tramitação do piso salarial dos médicos
Assédio e agressão: o desafio das médicas no ambiente de trabalho
Fenam participa de Fórum Nacional de Integração do Médico Jovem
0
Would love your thoughts, please comment.x