Maternidade é fechada após ameças de morte dentro do hospital

10 de julho de 2017

A maternidade do Hospital Estadual Infantil de Vila Velha (Himaba) foi fechada na madrugada deste domingo (9) após uma briga entre dois rivais dentro da instituição, com trocas de ameaças de morte. Os dois envolvidos, que tinham uma rivalidade anterior, acompanhavam suas respectivas esposas e acabaram se cruzando dentro da maternidade, quando ocorreu a briga.

Segundo relato de médicos, após a confusão, um dos homens fugiu do hospital com a esposa, grávida de 28 semanas, ameaçando voltar para matar o rival. O outro continua com a mulher internada, que deu à luz a um bebê prematuro de 36 semanas.

Pacientes e funcionários ficaram apavorados com a confusão. Os médicos plantonistas afixaram um cartaz por volta de meia-noite, suspendendo o atendimento e até as visitas às grávidas e bebês internados. Os plantonistas interromperam até a troca de acompanhantes na maternidade. 

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, Otto Baptista, profissionais da saúde relataram que o clima foi de terror nos corredores do hospital.

“Houve uma troca de ameaças no corredor, uma situação bastante grave, delicada, violenta, em que o acompanhante que estava com a gestante de 28 semanas evadiu-se do hospital com ela. Aquele que evadiu-se do hospital falou que voltaria para acertar contas. Isso já criou um pânico entre as gestantes que trancaram todas as janelas”, conta ele.

A mãe de uma grávida, que foi ao hospital no início da manhã para levar a filha para fazer o parto, contou que foi avisada de que não teria atendimento por “problemas de segurança”. Os funcionários do hospital entretanto não detalharam para ela quais seriam esses problemas. A mulher, que pediu para não ser identificada, teve que levar a filha para um hospital de Vitória e ficou revoltada com falta de atendimento.

“É uma tristeza porque a gente paga os nossos impostos. Cadê o Governo, cadê as autoridades competentes?. Se não tivesse um hospital para ser atendido em Vitória, quer dizer que morreriam ela e o bebê? Ela estava com muita falta de ar”, desabafou.

“Questão pontual”

Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) disse apenas que a direção do Hospital Estadual Infantil e Maternidade de Vila Velha informou que a maternidade ficou fechada momentaneamente por uma questão pontual e que foi reaberta na tarde deste domingo (09). A Sesa afirmou que todas as pacientes foram orientadas neste período a buscar atendimento em outras maternidades na Grande Vitória.

O Sindicato dos Médicos disse que foi registrado um boletim de ocorrência. A Secretaria de Estado da Segurança Pública foi acionada, mas ainda não confirmou se houve mesmo o registro.

“Se nada mudar, vamos ver assassinato dentro de hospitais”, desabafa médico

Presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, Otto Baptista afirma que o caso de violência no Himaba não é algo isolado. O médico relata que os profissionais de saúde se sentem inseguros em todo o Estado, principalmente na região Metropolitana.

“Semanalmente, no Estado inteiro, há casos de violência como ameaças de morte, depredação de patrimônio, roubo de equipamentos, depredação de carros”, conta.

O representante dos médicos faz um alerta sobre a insegurança nas unidades de saúde e diz que os médicos e pacientes correm risco de morte.

“Sem trazer a segurança para a estrutura hospitalar, com uma segurança ostensiva, isso vai continuar acontecendo. Estamos prestes a ver na mídia o assassinato de um médico em um plantão de urgência”, desabafa.

Sobre as reclamações de insegurança no hospital e na região, o comando do 4° Batalhão de Polícia Militar disse que o policiamento na região é realizado com regularidade.

Garante ainda que a tem procurado estreitar laços com as lideranças comunitárias, através de reuniões mensais, para traçar estratégias de policiamento nos bairros do município, de acordo com o mapa do crime.

Outro caso: maternidade é fechada após médico quebrar o pé

Outra maternidade também ficou fechada neste domingo em Vila Velha: a do Hospital de Cobilândia. De acordo com a Prefeitura de Vila Velha, um dos dois médicos plantonistas de domingo sofreu um acidente e quebrou o pé.

“E o outro médico não atua sozinho, por orientação do Conselho Regional de Medicina e Sindicato dos Médicos”, explicou a prefeitura.

 De acordo com a Prefeitura, vários profissionais foram convocados para substituir o plantonista acidentado, mas eles não tinham disponibilidade para atender o chamamento. Em comunicado, a prefeitura informou que a unidade foi reaberta às 19h com a troca de plantão. A prefeitura reforçou que fez “inúmeras tentativas durante o dia”, mas não conseguiu um profissional disponível para cobrir a ausência do colega acidentado.
 


Fonte:

Gazeta Online

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