Sem médicos, emergência de Bonsucesso é fechada

28 de março de 2018


 
Menos de um mês após ser inaugurada, a emergência do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) paralisou os atendimentos, parcialmente, no último sábado (24). A decisão foi tomada pelo próprio corpo clínico com apoio da Federação Nacional dos Médicos (FENAM) e do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). 

Durante reunião, realizada no dia 19, entre o presidente da FENAM, Dr. Jorge Darze, com o corpo clínico da Unidade, as equipes decidiram diante da insuficiência de recursos humanos necessários para o novo setor de emergência, pelo fechamento, até que as condições para seu funcionamento estejam presentes.

O atendimento no setor vem sendo comprometido por conta de um déficit de cerca de 160 médicos de diversas especialidades. Dr. Darze lembra que o hospital tem uma função social de grande relevância, pois atende pacientes de todo o estado. “Não podemos admitir que o Ministério da Saúde, sabendo desta grave situação, não tome nenhuma medida, no sentido de garantir o pleno funcionamento desta unidade”, declarou.

Veja reportagem completa com o depoimento de Dr. Darze, concedida ao G1. 

Confira a matéria completa concedida à TV Record Rio. 

No dia 20, o dirigente entregou uma carta, com as reivindicações dos servidores, ao Coordenador Geral de Gestão de Pessoas do Ministério da Saúde, Pablo Marcos. O dirigente da FENAM declarou que espera que o governo entenda a grave situação e resolva o quanto antes o caos do atendimento da emergência de Bonsucesso.

Leia abaixo um trecho da carta:

Considerando a grave situação da Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro, que inclusive determinou, por parte do Governo Federal, a intervenção nessa Área para a proteção de nossa população.
Considerando que o Poder Judiciário Federal determinou a contratação de pessoal necessário para o pleno funcionamento da Emergência, o que até o presente momento não foi cumprido.

Considerando a grave crise por que passa a Saúde Pública do Estado do Rio de Janeiro, inclusive com óbitos decorrentes da falta de assistência e de atenção básica até a hospitalar.

Considerando que todos os fatos acima relatados não só comprometem a saúde de nossa população, assim como coloca em risco a integridade física das equipes de Saúde com possíveis consequências jurídicas, éticas, civil e criminal.

Os médicos que compõem o Corpo Clínico deste Hospital Federal decidiram pelo fechamento do novo setor de Emergência, no próximo sábado – dia 24 de março de 2018 – até que as condições necessárias para o seu funcionamento estejam presentes, principalmente a contratação dos recursos humanos necessários.

 

Atenciosamente,


Dr. Baltazar de Araújo Fernandes


Presidente da Direção do Corpo Clínico do HFB

No sábado, Dr. Darze, logo cedo, ocupou-se de colocar uma faixa de aviso aos pacientes: “Emergência fechada por falta de profissionais de saúde”, mas a direção da unidade, de forma arbitrária, a retirou horas depois. Na manhã desta segunda-feira (26), o corpo clínico se reuniu e vai exigir a recolocação em um local adequado, para que a população fique informada sobre a impossibilidade de a equipe trabalhar de forma adequada. 

O dirigente lembrou ainda que há uma expectativa de publicação de uma portaria, para os próximos dias, que estabelece algumas metas na contratação de pessoal. Do total previsto, quase 1.500 são médicos.  Esse edital é fruto da luta desses profissionais que reivindicam incansavelmente, para que o governo contrate o quantitativo suficiente para o pleno atendimento das unidades de saúde. 

 Acesse aqui o documento


Entenda: 

Com custo de cerca de R$ 20 milhões, a emergência de 3 mil metros quadrados demorou sete anos para ser construída. Nesse período, o atendimento foi feito em três contêineres. Desde o dia 28 de fevereiro (dia da inauguração), os servidores reivindicam que o governo aponte uma solução para o problema, mas até hoje, nada foi feito. 

O hospital continuará atendendo casos extremamente graves, mas o recomendado é que a população não recorra aos serviços da unidade durante a paralisação, que só será interrompida quando o corpo de funcionários aumentar.

Fonte: FENAM com informações o Globo, Estadão e Jornal do Brasil

Posts Relacionados

Publique seu comentário