Uso indiscriminado de medicamentos ameaça segurança de pacientes

9 de janeiro de 2018
Artigo publicado na Revista de Saúde Pública discute a questão da “polifarmácia”, termo que traduz o uso de mais de cinco medicamentos, e traz um estudo que é parte da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Uso Racional de Medicamentos (PNAUM) – Serviços 2015. O objetivo é “caracterizar a organização dos serviços de assistência farmacêutica na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), visando à divulgação do uso racional de medicamentos”, afirma Renata Nascimento. Caracterizar a polifarmácia no universo dos usuários de medicamentos que passam pelos cuidados da chamada atenção primária do SUS e identificar fatores a ela associados é a proposta dessa pesquisa. Para a autora, o uso exacerbado de medicamentos da população atendida pelo SUS torna-se um desafio para a segurança dos pacientes.
 

A prestação de cuidados em saúde visa proporcionar ao indivíduo bem-estar, minimizando os riscos desnecessários do excesso de remédios. Há necessidade de uma harmônica relação entre o diagnóstico e o tratamento prescrito, tendo em vista que “o uso inadequado de medicamentos e problemas de comunicação entre médicos e pacientes são as principais causas de eventos adversos”.
 

A polifarmácia é comum na prática clínica e os principais fatores para isso são aumento da expectativa de vida, o livre alcance aos remédios, devido à disponibilidade do mercado, e o aumento das doenças crônicas. “A prescrição simultânea, por vários médicos, sem que ocorra a necessária conciliação terapêutica para o paciente” , pode levar ao uso inadequado de medicamentos, ocasionando graves efeitos colaterais, acentuados pelas desastrosas interações medicamentosas.
 

É interessante observar, segundo o artigo, que pacientes que contam com plano de saúde particular “apresentaram maior chance de polifarmácia”, considerando que têm mais acesso a consultas com especialistas, “ampliando a variedade de prescrições”; por isso, é importante o controle sobre a ocorrência de interações medicamentosas no intuito de minimizar seus danos, além de ser necessário alertar a população sobre as consequências da automedicação, tais como internação e óbito.
 

A autora admite haver algumas limitações na pesquisa, tanto em relação aos métodos quanto ao conceito de polifarmácia adotado – o uso de cinco ou mais medicamentos -, e pela impossibilidade de conhecer-se o porquê da prescrição de cada medicamento. Destaca, porém, que este é “o primeiro estudo de abrangência nacional sobre polifarmácia em usuários de serviços de saúde”, indicando que a polifarmácia é uma realidade na “atenção primária” da população atendida pelo SUS. Em vista disso, o principal desafio é garantir a prescrição adequada de medicamentos, a capacitação multidisciplinar de profissionais e educação da população, visto serem “estratégias necessárias para qualificar o uso dos medicamentos e fortalecer a Política Nacional de Segurança do Paciente”, defende ela.
 

Renata Cristina Rezende Macedo do Nascimento é pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Farmácia. Programa de Pós-Graduação em Medicamentos e Assistência Farmacêutica.

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