EUA autorizam primeira terapia genética para tratamento de câncer

1 de setembro de 2017

Os Estados Unidos autorizaram nessa quinta-feira (30) a utilização de terapia genética para o tratamento de câncer pela primeira vez. A técnica, chamada de CAR T-cell, tem resultados promissores, mas ainda não chegou ao Brasil.

A liberação para o uso da terapia foi dada pela FDA, órgão regulador dos EUA similar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 12 de julho deste ano, um painel recomendou a aprovação do tratamento.

O órgão norte-americano tratou a decisão como “ação histórica” e diz que “inaugura uma nova abordagem para o tratamento de câncer e outras doenças graves que ameaçam a vida”.

“Estamos entrando em uma nova fronteira para a inovação médica com capacidade de reprogramar as células do próprio paciente para atacar um câncer mortal”, disse Scott Gottlied, integrante da FDA.

A Novartis, empresa que possui a patente da terapia nos Estados Unidos, publicou em seu site a decisão do órgão regulador. O tratamento, por enquanto, poderá ser feito em crianças e adultos com leucemia linfoide aguda (LLA) — a taxa de remissão nestes casos é, em média, de 83%.

Pesquisas

A técnica existe porque é uma parceria entre a Novartis e a Universidade da Pensilvânia. De acordo como jornal “The New York Times”, os médicos Steven A. Rosenberg, Carl H. June e Michel Sadelain estão há décadas na vanguarda das pesquisas sobre o tratamento.

Como ele é feito? As células T do paciente, uma espécie de “soldados” do sistema imunológico, são extraídas do sangue. São modificadas geneticamente para reconhecer o câncer e, depois, destruí-lo. Elas são redesenhadas e modificadas em laboratório e depois devolvidas à corrente sanguínea. Em resumo: as próprias células do paciente são “treinadas” para combater o câncer.

A terapia celular por CAR T-cell é um tratamento personalizado: precisa ser pensada e estudada de forma especial para cada paciente. Nos Estados Unidos, país onde está mais avançada, foi testada em centenas de pessoas, de acordo com o “The New York Times”.

Durante o processo, os médicos precisam “derrubar” o sistema imunológico do paciente com câncer. Por isso, ainda se deve percorrer um longo caminho até entender e combater todos os efeitos colaterais que podem ser potencialmente letais.

No Brasil

A médica Yana Novis, coordenadora de onco-hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Sírio- Libanês, disse que no Brasil há outros empecilhos para a aplicação da terapia.
“As barreiras são financeiras e tecnológicas, nós não temos as duas coisas. E para adquirir tudo isso existe um custo muito alto”, explicou.

“O interesse de toda a comunidade científica é grande porque os resultados são promissores, mas não conheço nenhum lugar no mundo em que é feito em uma escala mais ampla”, completou.

Fonte: G1/Bem Estar

Related Posts

0 0 votes
Article Rating
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Notícias Recentes

CARTA ABERTA AOS MÉDICOS DO PROGRAMA MÉDICOS PELO BRASIL
Em audiência pública, Fenam apela por agilidade na aprovação do novo Piso Salarial de médicos e dentistas
Vitória! Alteração do decreto n° 11.999 restaura a Comissão Nacional de Residência Médica
Novas faculdades: Fenam se manifesta sobre norma regulatória do MEC
0
Would love your thoughts, please comment.x