Conheça o novo presidente da FENAM, Dr. Jorge S. Darze

28 de julho de 2017
O carioca Jorge Sale Darze, 67 anos, é médico há mais de 40 anos, e durante a carreira de ginecologista e obstetra dividiu o seu tempo entre o atendimento aos pacientes e a militância em defesa da classe médica. Desde os bancos da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, atual UniRio, Darze já lutava pela categoria, e isso em plena Ditadura Militar, quando a liberdade de expressão era totalmente cercada.


Fez Residência Médica na Secretaria Estadual de Saúde e no Ministério da Saúde. Em 1976, recém-formado, passou em 1° lugar no concurso para obstetrícia e em 10º lugar em ginecologia do Ministério da Saúde. Além do serviço público, durante 20 anos, ele atuou também na iniciativa privada. 


Casado, pai de cinco filhos e avô de seis netos, apesar da rotina frenética que mantém há tantos anos, Darze não abre mão de hábitos saudáveis, como correr todos os dias pela manhã, ao menos 8km. 


Como reconhecimento por sua atuação à frente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed-RJ), Darze recebeu as honrarias máximas concedidas pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e Câmara Municipal do Rio de Janeiro: as Medalhas Tiradentes e Pedro Ernesto, respectivamente. A Medalha Tiradentes, concedida em 2002, foi aprovada pelos deputados com a justificativa de que a ativa militância de Jorge Darze fez dele um dos principais líderes sindicais da área médica. 


Em 2005, ele recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto do legislativo municipal, também como fruto do relevante trabalho realizado em defesa dos médicos do Rio de Janeiro e da saúde pública.


Além de dirigente sindical e médico, Darze é escritor, sendo autor de mais de 300 artigos publicados na grande imprensa, e membro honorário da Academia Nacional de Médicos Escritores. É também membro da Academia Nacional de Medicina de Reabilitação. 


A equipe de Comunicação da Federação Nacional dos Médicos (FENAM) fez algumas perguntas ao novo presidente da entidade:


1) Em tantos anos de luta pela categoria médica, quais foram os seus maiores desafios?


Diante da grave realidade que enfrentamos, ainda não conseguimos converter o grau de insatisfação dos médicos em ações concretas de enfrentamento e de resolução das adversidades. Um dos principais desafios do movimento sindical é saber como viabilizar a participação dos médicos nessas lutas.


2) Por que os médicos não querem fazer parte da luta?


Eu não diria que eles não querem. Eu diria que eles hoje enfrentam vários problemas, como a luta pela sobrevivência. Em função da baixa remuneração, esses colegas são obrigados a ter vários empregos, gerando desgaste físico e emocional, que conduz ao desânimo para participar das lutas.


O movimento sindical médico precisa se debruçar sobre este tema, estudando os aspectos da baixa mobilização desses profissionais, entre outros que naturalmente surgirão no debate, a fim de vislumbrar mecanismos de comunicação com os médicos, criando fatores que contribuam para a unificação da luta. 


3) Mesmo diante de tantas barreiras, quais as principais conquistas que o senhor já obteve no movimento sindical?


Durante o período em que integrei a diretoria no Sindicato do Rio de Janeiro, garanti que a entidade assumisse suas responsabilidades constitucionais. Consegui realizar trabalhos em diversas frentes, a exemplo da luta em defesa da carreira do médico, contra a privatização do sistema, em defesa da Residência Médica e dos aposentados e pela participação efetiva no Conselho do Controle Social do SUS, entre outros.


4) Como teve início a sua trajetória sindical?


 Ainda como acadêmico de Medicina eu já estava envolvido com as lutas sociais. Vale destacar que entre o final da década de 1960 e o início dos anos de 1970, nós vivemos momentos de flagrante violação dos direitos civis e de censura à imprensa. Mas nem por isso eu deixei de exercer o meu papel como estudante. Em 1974, terminei a faculdade, e logo depois comecei a trabalhar, enquanto a Ditadura Militar ainda estava no poder. Foi depois de formado que me aproximei do movimento sindical. Tempos mais tarde, fui eleito, junto com outros colegas, para o primeiro mandato no Sindicato do Rio de Janeiro, como primeiro-secretário e depois secretário geral, até chegar ao cargo de presidente da entidade. Paralelamente a isso, comecei a vivenciar o movimento nacional através da FENAM e fui eleito para ocupar o cargo de secretário-geral, duas vezes o de tesoureiro, além de secretário de comunicação e agora o de presidente. 


5) Como o senhor vê a figura do médico perante a sociedade?


As pesquisas de opinião, quando comparam profissões, geralmente apontam o médico como a profissão com o maior índice de credibilidade. Então, é razoável concluir que apesar de todas as dificuldades, o médico continua sendo uma profissão respeitada pela maioria da população. 


No entanto, essa avaliação, evidentemente, às vezes, fica comprometida por matérias jornalísticas que divulgam fatos que retratam o mau resultado do atendimento à população, atribuindo aos médicos a responsabilidade pelo ocorrido. Isso pode gerar uma visão distorcida do profissional, que quase sempre não é responsável pelo fato noticiado, na medida em que os verdadeiros responsáveis são as autoridades governamentais. 


6)  Quais são as suas metas como presidente da FENAM?


Nós temos hoje um grande desafio, que é unificar o movimento sindical dentro da FENAM. Não é uma tarefa fácil, mas deve ser perseguida até que se conclua o processo de reunificação e participação. Meu objetivo é trazer os sindicatos que estão fora da federação e incluir ainda mais os que já participam do nosso movimento. 


É também minha prioridade estar presente nas lutas e nos debates que ocorrem nos estados e municípios, atuando no sentido de garantir os direitos dos médicos do setor público com carreiras típicas de Estado; garantir a implantação do piso e do valor de consulta da FENAM em todo o país; democratizar o ambiente de trabalho na saúde suplementar; consolidar a nossa presença em defesa da Residência Médica de qualidade com garantia da bolsa de estudos; interferir na proliferação das escolas médicas no país; estabelecer com o Congresso Nacional um canal permanente de conversação; reunificar o movimento médico nacional, e garantir a paridade entre ativos e aposentados.

 Fonte: FENAM

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