RS: Movimento de pais contrários à vacinação cresce e preocupa

17/10/2017

foto: Simers




Desde junho de 2016, 3.300 casos de sarampo foram registrados na Itália, incluindo duas mortes. Somada toda a Europa, o número de óbitos sobe para 35 no mesmo período. Segundo o Centro Europeu para a Prevenção e o Controle de Doenças, o quadro está ligado a um acúmulo de pessoas não vacinadas.

Em todo o mundo, tem crescido o grupo de pais contrários à vacinação de seus filhos. Os motivos são inúmeros, desde crenças religiosas e filosóficas até o receio dos efeitos colaterais que a imunização pode gerar. Embora no Brasil o movimento ainda não tenha a mesma abrangência que alcança nos Estados Unidos ou nos países europeus, o Simers reforça o alerta já dado pelos especialistas.

“Hoje temos o ressurgimento de doenças que estavam praticamente erradicadas ou sob controle. O sarampo é, neste momento, o caso mais nítido. No Brasil, até 2015 o Ceará registrou surtos. Não podemos deixar que isso volte a acontecer”, destaca o vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Marcelo Pavese Porto.

O pediatra usa também o exemplo da poliomelite para ilustrar a situação. Hoje com 52 anos, ele recorda já ter visto inúmeras pessoas com sequelas relacionadas à doença, especialmente na infância. “No entanto, enquanto médico, nunca vi nenhum caso real. Precisamos questionar por que o cenário mudou. A resposta está no controle promovido pela vacina”, completa.

Uma decisão individual?
Quando uma pessoa deixa de se vacinar ou opta por não imunizar seu filho, a escolha é sua – mas somente até certo ponto. Conforme pontua Porto, essa é uma decisão individual com importante repercussão para o coletivo. A explicação está na quebra da cadeia de proteção. A partir do momento em que isso acontece, o problema não está apenas no indivíduo.

“Começa a ocorrer o ressurgimento daquele grupo de doenças que poderiam estar controladas pela vacina. As populações de alto risco são as mais atingidas, como os bebês, que ainda não estão com a sua imunização completa, e os idosos, que já não costumam fazer todas aquelas vacinas que deveriam”, pondera.

Cobertura vacinal no país
Internacionalmente, o Brasil é reconhecido pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), que disponibiliza as principais vacinas à população gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Embora a cobertura venha se mantendo estável, casos como o da poliomelite chamam a atenção. Em 2016, o país registrou o pior índice de cobertura para a doença na última década (84%). O dado é parcial até o mês de outubro, o que dificulta determinar se a variação negativa acentuada é uma tendência que vai se confirmar ou não.

Preocupado com o cenário, Porto faz um apelo aos pais. “Infelizmente, não temos como proteger nossos filhos de tudo. Mas vaciná-los é, certamente, uma das melhores proteções que podemos oferecer”, enfatiza.



Fonte: Simers